sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

v e s t í g i o s

e fui cuidar do que restava,
que é sempre o que se deve fazer.
caio fernando abreu





ele se misturou à claridade de meu ventre.
adivinhou confins, o olho mudo, a água.
aqueceu a mão nas nuvens
e me deu um sol crescente nas coronárias.
dormimos desconhecendo ser a última rotação
da lua em torno de nossa casa;
que, inocentes, abriríamos os olhos para os animais
sangrarem com a língua as nossas asas.
redemoinho de miudezas que o vento alastra.
variações do punhal no esgarçado músculo da cara.






fragmento de fotografias de alison scarpulla .
. palavras de luciana marinho
.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

imemorial

reduziu seu corpo à mão ferida lavada em sal.
o sal em que as orquídeas amadurecem.



a ela foi dada essa terra distante: "olhou as nuvens e esperou os objetos se formarem". perdeu de vista as mãos, os pés, a extensão de sua sombra. entregou-se ao desejo de um outro céu e ao silêncio que afasta os estranhos..



colagem e palavras
luciana marinho

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