terça-feira, 24 de julho de 2012

por aqui e por onde mais

a casa crescerá na direção do vento
assim como se posiciona uma janela para o poente.

 
 

cobria os dentes com cravos e sorria para ninguém.
e ninguém se aproximava de sua lentidão,
de seus olhos inclinados para baixo a coser a escuridão
entre uma linha e outra da mão.

⇁ a escuridão
água enramando seus pés      
   
onde desertos descampavam seus ossos
alojavam pulmão e coração naquele céu ancorado nos pássaros.

fotografia anka zhuravleva
palavras luciana marinho

domingo, 10 de junho de 2012

querência


o peito imóvel como uma ilha pesada de bizâncio e metais de outra natureza. a língua presa a um pântano. como afronta aos pássaros, a retidão é a carne sem ar, intátil e obscura fenda no mundo que entra e sai das incriadas paragens do corpo. em uma querência de flor plantada nas cavidades, lírios crescem nos ossos como contra muros.

o coração é o respiro arfante do vento.


 palavras    luciana marinho
fotografia    lilya corneli

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