quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

do que se vive




a mão dela abriu o orvalho
para que a água descesse uma petúnia nos olhos.
de algum jeito todos envelheceram em suas sombras
foram desaparecendo na morte 
sussurrada à borda dos poços
enquanto ela restava com seu vestido de ventre claro 
e os olhos estendidos ao nevoeiro.
embrulhou suas idades na voz do avô:
"morre-se do que se vive".
e foi desafogando os cardumes do esquecimento.




luciana marinho
  fotografias e palavras

23 comentários:

  1. fotos lindas, tiradas por quem olha pra vida prestando atenção.
    palavras bonitas, sabedoria de avô....

    o lar é onde estão os nossos sapatos, querida luciana.

    beijão do

    r.

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    1. beto,

      são fotografias do interior, por onde passei janeiro em viagem.

      beijinho.

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  2. [essa ciência exacta
    o poema;

    o todo o sentir das profundezas do mundo
    por dentro da e na palavra!]

    um imenso abraço, Luciana

    Lb

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    1. "bendita a sede
      por congregar-nos
      em torno da fonte"

      grata, leonardo.

      abraço!

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  3. Imagen y palabra, como siempre, en comunión en tu casa. El abuelo y el interior del país, el interior del mundo. Ancestral, intenso, se muere de lo que se vive... ¡tan cierto! Beso inmenso, Luciana querida.

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    1. bem vinda com todo os teus azuis, querida.

      besos.

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  4. Luciana, que bom essa sabedoria ancetral em versos tão sensíveis!

    Beijos,

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  5. Perfeita harmonia, palavras, imagens, sensações...

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  6. Hola Luciana, soy nueva aquí y me gusta muchísimo tu blog, así que con tu permiso me quedo.
    Igualmente te invito a participar en mi blog que espero que te guste...

    http://canditoledofotografia.blogspot.com.es/

    Un saludo!

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    1. candi-candi,

      bem vinda. que prazer visitar teu blog e encontrar no primeiro olhar a poesia de pizarnik, poeta que amo, acompanhada de bela fotografia. vamos nos visitando.

      abraço!

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  7. Caralho. que coisa bonita. Voz original e viva.

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    1. vinicius, grata pelo comentário estimulante :) bem vindo!

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  8. Morre-se, sem dúvida, do que se vive. E já que a morte é obstáculo intransponível, há que cultivar a vida como coisa preciosa e passar o testemunho.
    Sempre profunda, Luciana!

    Beijo :)

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    1. sim, preciosidade e testemunho.
      como se passa e se é passado pelo fogo, a água, a terra, o ar, o amor.

      abraço, AC!

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  9. Muito bom os textos!
    Parabéns pelo BLOG!

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    1. que bom, márcio, esse encontro de "sentires".
      grata.

      bem vindo ao máquina lírica!

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  10. Bem... que força tem a tua escrita! Impressionante!

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    1. a força está aqui e aí :)
      fui lá em teu "desvirginando", sorri com teu despojamento.

      abraço!

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    2. e agora sigo-te. quero poesia da tua nas minhas notícias.

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    3. grata, flip!
      vamos nos visitando.

      um abraço!

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  11. Blog da Academia Machadense de Letras
    http://academiamachadense.blogspot.com.br/

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